De 29 de julho a 1 de agosto de 2025, a Fundação dos Media para a África Ocidental (MFWA) realizou duas séries de workshops de capacitação, com a duração de dois dias, destinados a jovens de todas as regiões da Guiné-Bissau. Os workshops fazem parte do nosso projeto «Promover e Proteger a Democracia ao Salvaguardar a Liberdade de Opinião e de Expressão e Combater Mis/Desinformação na Guiné-Bissau». Este projeto é financiado pela União Europeia (UE) e implementado em parceria com a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e a Fundação Hirondelle (FH).
Os workshops respondem à crescente disseminação de narrativas prejudiciais, tanto nas plataformas tradicionais como nas digitais. Os jovens, enquanto o grupo demográfico mais ativo nas plataformas digitais, são particularmente vulneráveis a essas narrativas prejudiciais. No entanto, têm também um enorme potencial para atuarem como agentes de mudança positiva nas suas comunidades.
Durante a cerimónia de abertura, a 29 de julho de 2025, Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Maria da Conceição Évora, alertou para o uso indevido das redes sociais como ferramentas de manipulação e incitamento à violência, e apelou aos jovens para que sejam críticos, conscientes e proativos.
«Vivemos um tempo em que as redes sociais — que deveriam ser um espaço de debate saudável e fortalecimento da cidadania — têm sido, infelizmente, utilizadas para propagar desinformação, insultos e ataques pessoais, muitas vezes com o objetivo de desestabilizar instituições e fragilizar a coesão social. A juventude deve ser protagonista, não espectadora. Esta transformação começa dentro de cada um de vós », a Ministra afirmou.
A Ministra da Cultura destacou igualmente a importância dos workshops e reafirmou o forte empenho do governo na promoção destas iniciativas, que capacitam os jovens a identificar e combater a desinformação e o discurso de ódio.
O Adido da União Europeia para a Cooperação em matéria de Justiça, Segurança, Género e Direitos Humanos, Carlos Abaitua Zarza, manifestou o compromisso da UE na promoção dos direitos humanos, incluindo a liberdade de expressão. Salientou que a liberdade de expressão é o alicerce de uma cidadania ativa e consciente, mas deve ser exercida de forma responsável.
«A liberdade de expressão não é para espalhar mentiras ou ofensas — é para defender a verdade, promover o respeito e construir pontes entre as pessoas e as comunidades», o Zarza afirmou.
Delali J-D Dessouassi, Associado do Programa para a Liberdade de Expressão e Direitos Digitais da MFWA, encorajou os jovens a aproveitarem a formação como uma oportunidade para reforçar as suas competências e posicionarem-se como agentes de mudança.
«Com as ferramentas adequadas, formação e apoio, os jovens podem tornar-se defensores da verdade, promotores de um discurso respeitoso e campeões de uma sociedade mais informada, resiliente e unida na diversidade», ele afirmou.
O representante do CNJ, Damião Mendes, contextualizou os riscos que a desinformação representa num país em transição política e institucional. Sublinhou a necessidade de uma juventude politicamente esclarecida e ativa, capaz de distinguir entre liberdade de expressão e manipulação ideológica.
Já o representante da RENAJ, Hipólito Vaz, destacou o papel da juventude na construção de uma convivência social saudável, reafirmando a disponibilidade da rede juvenil para colaborar na defesa dos valores democrático.
Um total de 86 jovens foi dividido em dois grupos e beneficiou de um workshop de capacitação de dois dias cada. Os workshops abordaram a literacia mediática, a desinformação, o discurso de ódio, a liberdade de expressão, a segurança digital e a criação ética de conteúdos.
Exemplos da vida real, tais como publicações virais, frases discriminatórias e vídeos que circularam em Bissau, foram combinados com exercícios interativos em grupo, incluindo a identificação e a transformação do discurso de ódio em crítica construtiva. Estas dinâmicas geraram discussões enriquecedoras, ajudando os participantes a compreender a diferença entre liberdade de expressão e discurso prejudicial, bem como a responsabilidade que advém da partilha de informação.
Os workshops reuniram líderes jovens, estudantes, ativistas, criadores de conteúdos digitais e pessoas com deficiência. Um dos principais resultados da formação foi o desenvolvimento de um conjunto de ferramentas práticas que fornece aos jovens estratégias para analisar criticamente os conteúdos dos meios de comunicação social, promover a partilha responsável de informação, tornarem-se embaixadores da verdade e da tolerância, sensibilizar os seus pares e contestar narrativas prejudiciais nos seus círculos.









