Founded by the European Union

Intervenientes dos meios de comunicação social aprovam o Código de Ética dos Jornalistas revisto na Guiné-Bissau

Em 29 de outubro de 2025, profissionais da comunicação social, académicos e representantes de organismos reguladores da comunicação social reuniram-se para aprovar o Código Deontológico dos Jornalistas da Guiné-Bissau, na sua versão revista. O Código Deontológico, cuja última versão data de 2018, foi alvo de uma revisão e atualização exaustivas para dar resposta aos desafios atuais, incluindo a desinformação digital, o assédio online e a segurança dos jornalistas.

O Código Deontológico foi aprovado durante um fórum sobre jornalismo ético realizado no Hotel Dunia, em Bissau. O evento foi organizado pela Fundação dos Media para a África Ocidental (MFWA), em parceria com a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e a Fondation Hirondelle (FH), no âmbito do projeto financiado pela União Europeia intitulado «Promover e Proteger a Democracia ao Salvaguardar a Liberdade de Opinião e de Expressão e Combater Mis/Desinformação na Guiné-Bissau».

O fórum teve início com intervenções dos principais intervenientes institucionais, que salientaram a importância do jornalismo ético na Guiné-Bissau, especialmente no contexto da evolução do panorama político e mediático do país.

Nas suas intervenções, o presidente interino do Conselho Nacional de Comunicação Social da Guiné-Bissau (CNCS), Meta Camara, destacou a importância da iniciativa. Salientou ainda a responsabilidade dos profissionais da comunicação social na defesa dos padrões éticos. 

«O jornalismo ético exige uma prática responsável da comunicação, baseada em princípios sagrados como a verdade, a imparcialidade, a responsabilidade social e o respeito pela dignidade humana», concluiu o Sr. Camara.

Indira Correia Baldé, presidente do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SINJOTECS), destacou a importância de atualizar o Código Deontológico para refletir as novas realidades do panorama mediático.

«Fazia todo o sentido que o código, em relação ao anterior, fosse atualizado, uma vez que, na altura em que validámos o código de 2018, não tínhamos incluídas questões como a misinformação e a desinformação, nem tínhamos dado destaque aos media digitais. Este novo código, que hoje validamos, integra esses componentes, que serão muito importantes na execução dos nossos trabalhos», afirmou.

Além disso, encorajou os participantes a envolverem-se ativamente no processo de validação, afirmando que «o documento é nosso, é da Guiné-Bissau e é para os profissionais da Guiné-Bissau. Assim, é importante que estejamos todos abertos à discussão e à validação deste novo código».

Em representação da União Europeia, o Adido para a Cooperação na Justiça, Segurança, Género e Direitos Humanos, Carlos Abaitua Zarza, sublinhou a urgência de promover o jornalismo ético, especialmente num contexto de disseminação de desinformação e discurso de ódio.

«Vivemos um momento dificílimo na Guiné-Bissau, marcado pelo aumento da desinformação, pela propagação do discurso de ódio e pela ameaça constante aos profissionais da comunicação social. Estes fenómenos não comprometem apenas a credibilidade do jornalismo, mas também fragilizam os alicerces da democracia. Um jornalismo comprometido com a verdade, a imparcialidade e o respeito pelos direitos humanos garante que a população tenha acesso a informações confiáveis e relevantes», afirmou.

O Sr. Zarza afirmou ainda que apoiar o jornalismo ético é essencial para a construção de sociedades informadas e democráticas.

Delali Jean-Daniel Dessouassi, Associado do Programa para a Liberdade de Expressão e Direitos Digitais da MFWA, destacou a importância da iniciativa num momento em que o país se prepara para as eleições.

«Este fórum acontece num momento muito importante para a comunicação social na Guiné-Bissau, especialmente numa fase em que o país se prepara para as próximas eleições. Em períodos como este, o papel dos media em fornecer informação precisa, equilibrada e responsável torna-se ainda mais essencial », afirmou.

À medida que a Guiné-Bissau continua a navegar num ambiente informativo em rápida evolução, o Código Deontológico revisto fornece um quadro importante para orientar os jornalistas na defesa dos princípios de integridade, responsabilização e serviço público que sustentam as sociedades democráticas.

O fórum incluiu também uma apresentação dos resultados de um exercício de monitorização que analisou os padrões éticos em meios de comunicação selecionados, tanto impressos como audiovisuais e online. A apresentação, que se centrou nos resultados da monitorização do primeiro trimestre (julho e setembro de 2025), destacou desafios recorrentes que afetam o jornalismo no país. Estes incluem questões relacionadas com a verificação da informação, a independência editorial e a influência crescente das redes sociais na definição do discurso público.

Os participantes envolveram-se em debates animados após a apresentação e partilharam experiências dos seus ambientes profissionais. Vários participantes salientaram a importância de reforçar princípios jornalísticos fundamentais, tais como a rigor, a verificação de factos e o direito de resposta. Outros participantes também destacaram preocupações relacionadas com as pressões económicas no seio das organizações de comunicação social e com a indefinição das fronteiras entre o conteúdo editorial e o conteúdo patrocinado.

As discussões exploraram igualmente o impacto das redes sociais no ecossistema da informação, em particular a crescente dificuldade em distinguir o jornalismo profissional de conteúdos não verificados ou baseados em opiniões que circulam online.

Related Stories